Saiba a diferença que um bom projeto luminotécnico pode fazer dentro de casa

Escrito por Caroline Pereira
Foto: iStock

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Assim como a iluminação insuficiente pode deixar alguns cômodos da casa escuros, monótonos e desvalorizados, áreas com excesso de luz – especialmente a artificial – são capazes de provocar exaustão e cansaço nos moradores.

Seja por excesso de lâmpadas ou por falta delas, muita gente se perde na hora de construir ou reformar a casa e acaba gerando altos gastos de energia.

Nesse caso, o ponto de equilíbrio pode ser encontrado na elaboração de um eficiente projeto luminotécnico. Embora pareça um trabalho árduo e caro, ele oferece conforto, aconchego e até economia aos moradores da casa.

“Um bom projeto luminotécnico é aquele que pensa todo o espaço, trabalha de maneira conjunta a luz natural e artificial, traça estratégias para economizar energia e reduzir os impactos no meio ambiente”, afirma a lighting designer Lorena Mattos.

A importância de um bom projeto luminotécnico

A arquiteta Marina Priolli, do escritório Priolli Galuppo, diz que um projeto luminotécnico eficiente também é capaz de valorizar a decoração e ressaltar os detalhes, como, por exemplo, um revestimento na parede, um quadro, uma planta ou uma escultura. “Fora isso, também agrega conforto, proporcionando o bem estar das pessoas”, conta a profissional.

Ela também ressalta que os ganhos em economia são muito relevantes, pois uma iluminação eficiente é aquela que oferece a quantidade de luz realmente necessária, sem pesar nas contas de do mês. “Alguns projetos exageram na quantidade de lâmpadas, o que significa não só gastos extras desnecessários com materiais, como também um desperdício de energia”

Como elaborar um bom projeto luminotécnico

Foto: Reprodução / ARQconcept

Foto: Reprodução / ARQconcept

Com base em sua experiência, Lorena conta que quando o projeto é feito na fase de construção, o resultado é ainda melhor, pois o profissional terá mais liberdade para realizar o planejamento e poderá trabalhar melhor a luz natural dos ambientes.

A profissional reforça que cada situação e ambiente pede um tipo de iluminação específica, que pode ser difusa, direta ou indireta (entenda essas diferenças no próximo tópico). “Ela pode ser configurada de acordo com o desejo do cliente, e através de diferentes posicionamentos das lâmpadas é possível deixar um mesmo local com a luz perfeita para um jantar romântico ou para um dia de estudos”, exemplifica.

Mesmo assim, é possível realizar um trabalho eficiente com o que já foi feito, retirando o que não for necessário e fazendo novas adaptações. Marina conta que muita gente peca pela falta ou o excesso de iluminação direta e pelo o abuso de lâmpadas de luz branca, que são ideais apenas na cozinha e no banheiro.

Adepta das novidades do mercado, a arquiteta defende o uso das lâmpadas de LED, que são capazes de oferecer economia, qualidade e alta duração.

Tipos de iluminação

Embora a prática mais comum seja instalar a lâmpada no centro do teto de um cômodo, existem outras formas de posicioná-las. Veja a seguir os três principais tipos de iluminação exploradas em projetos luminotécnicos e descubra suas funções e efeitos:

Iluminação difusa

Foto: Reprodução / Liliana Zenaro Interiores

Foto: Reprodução / Liliana Zenaro Interiores

Esse é o modelo de iluminação mais tradicional. A lâmpada fica centralizada no ambiente e instalada no teto, iluminando o espaço de maneira uniforme e sem contrastes. “É uma luz mais confortável, bastante utilizada em salas, quartos e banheiros”, explica Lorena.

A lighting designer ressalta que é permitido usar esse tipo de iluminação em conjunto com os demais. “Se você tem um local de estudo em um quarto, pode utilizar também a iluminação direta, como uma luminária de mesa”.

Iluminação direta

Nessa situação, a luz incide diretamente sob algum objeto ou superfície com o suporte de uma luminária ou abajour. Lorena diz que esse recurso é visto em escritórios, salas de estudos e home offices, mas pode ser usado na sala para destacar alguma planta, parede ou objeto decorativo.

Iluminação indireta

Foto: Reprodução / Edwiges Leal e Eduardo Beggiat (B&L Arquitetura)

Foto: Reprodução / Edwiges Leal e Eduardo Beggiat (B&L Arquitetura)

Muito requisitada pelos brasileiros, a iluminação indireta ocorre quando se utiliza alguma superfície (como o gesso) para rebater o fluxo luminoso, que será refletido pela superfície branca do teto e se espalhará pelo ambiente. “Isso permite criar ambientes decorativos e mais intimistas e é bastante utilizada em salas e quartos”, destaca Lorena.

Projetos com luminotécnica perfeita para se inspirar

Encontrar inspiração em ambientes em que a iluminação é o ponto alto é uma ótima pedida para quem quer investir nesse quesito. Confira a seguir alguns projetos de sucesso elaborados por profissionais do setor:

Sala de estar, por Marina Priolli, arquiteta

Seria impossível não aproveitar a luz natural nessa sala, já que ela conta com muitas portas em seu comprimento. Mesmo assim, a arquiteta aplicou alguns focos de luz nas bordas do cômodo, tornando a iluminação artificial acolhedora e mais intimista. As luminárias são embutidas, do tipo dicroica (ou spot), exceto no espaço de jantar, que conta com um pendente.

Sala iluminada, por Lúcia Vale, designer de interiores

Foto: Reprodução / Lúcia Vale, designer de interiores

Foto: Reprodução / Lúcia Vale, designer de interiores

Esta sala de apartamento foi executada pela própria cliente sob orientação da designer Lúcia Vale. Cada detalhe foi estudado e planejado por meio de diálogo. A iluminação destaca o revestimento da parede e realça os tons amarelos utilizados no bar/café. Na área do jantar, um pendente ilumina e valoriza a área quando utilizada pelos moradores. O resultado não poderia ser melhor: luxo e simplicidade num mesmo espaço, com muita luz, brilho, sofisticação e aconchego.

Cocktail Bar e Mezanino, das arquitetas Carolina Rousseau e Camila Markowicz

Foto: Reprodução / Marcelo Stammer

Foto: Reprodução / Marcelo Stammer

A iluminação tem um objetivo fundamental nesse projeto: valorizar os detalhes do ambiente, como as cores, os móveis e as plantas. As profissionais optaram pela iluminação mais suave e recorreram aos trilhos de spots direcionados para a vegetação, os quadros e as mesas.

Sala de jantar, por Malu Pepe, arquiteta

Foto: Divulgação / Malu Pepe Arquitetura

Foto: Divulgação / Malu Pepe Arquitetura

Localizada bem ao lado de uma varanda gourmet, a sala de jantar consegue receber uma boa iluminação natural ao longo do dia. Mas para dar mais aconchego ao ambiente, a arquiteta optou por projetar um forro de gesso rebaixado, revestido com papel de parede e duas ripas decorativas. E dessa forma, nas laterais mais longas, foram instaladas lâmpadas T5 (tubulares, de 16mm) embutidas de cor amarela, que refletem luz nas cortinas e no forro do living.

Para iluminar o buffet, a profissional escolheu lâmpadas de LED direcionadas para a bancada. Já o lustre central serve para iluminar a mesa de jantar. E para que o ambiente ganhasse mais sofisticação, a arquiteta projetou mangueiras de LED na marcenaria. Essas foram embutidas nas prateleiras do nicho do painel em madeira.

Com essas dicas, é possível fazer um diagnóstico inicial da casa e realizar pequenas alterações, como a troca das lâmpadas convencionais pelas de LED e a inserção de luz branca apenas em cozinhas, banheiros, lavanderias e escritórios – já que a amarela é indicada para os demais cômodos da casa.

Quem está em fase de reforma, construção ou possui disponibilidade para readequar o projeto luminotécnico atual, deve recorrer aos profissionais do mercado, que irão fornecer opções seguras e sustentáveis.

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